Jardim Atlântico possui 18 edificações fechadas. Ainda é incerto futuro das estruturas
Já se tornou comum ser noticiado que prédios estão sendo interditados. O motivo, na maioria das vezes, é por oferecer risco de desabamento. Depois do afã de retirar as famílias, os imóveis são literalmente esquecidos e repletos de entulhos. Em Olinda, existem, atualmente, 59 prédios interditados. O bairro com o maior número de conjuntos residenciais fechados é o de Jardim Atlântico, onde há 18 deles.
Devido ao abandono, as ruas terminam se tornando perigosas. Lugares cercados por mato, entulhos, lixo e sem o menor resquício de que um dia ali existiu um lar. O cenário lembra o de uma cidade fantasma. É o caso do Conjunto Residencial Primavera, localizado no cruzamento das avenidas Pedro Álvares Cabral e Regina Lacerda, que há quase 15 anos estão nesta situação.
O lugar possui 16 blocos, cada um com quatro pavimentos (térreo, primeiro, segundo e terceiro andares), e já abrigou 256 famílias. Hoje há apenas quatro seguranças de uma empresa particular e um cachorro. Todas as entradas do térreo foram fechadas com tijolos para evitar que os apartamentos fossem invadidos. Apesar dos bloqueios humano e de alvenaria, famílias carentes desafiam o risco iminente de desabamento e ocupam alguns dos apartamentos.
Do lado de fora dos imóveis já é possível obervá-las. Nos edifícios Baronatt, Rio Grande do Norte e Leme, não é difícil encontrar famílias que preferem se esconder com medo de serem retiradas do único bem que acreditam possuir. Como se ali não existisse perigo, elas tentam ter uma vida normal. Carros na garagem, roupas estendidas na varanda e saídas com os filhos para comprar comidas no mercadinho. Cada dia que termina bem é mais um em que o perigo passou longe.
O motorista José Roberto, de 59 anos, mora em uma rua onde há dois imóveis interditados. O que fica ao lado do seu prédio foi fechado há 15 anos e não possui seguranças, enquanto o que fica na frente foi invadido por famílias. “No que está habitado é super tranquila a convivência. Ficamos preocupados porque é perigoso para eles morar em um lugar que foi condenado. O que está totalmente abandonado é ruim, porque as vezes entram pessoas para consumir drogas”, explicou.
Se quem passa pelas ruas sente certa nostalgia, quem foi morador e vê o sonho da casa própria ter virado pesadelo é ainda pior. Esse sentimento é vivido todos os dias pela professora Lindenes Alves, de 60 anos. Há seis anos ela teve que sair do Edifício Acapulco, onde criou os filhos. Por ironia do destino, ela acabou se mudando recentemente para o prédio ao lado. “Todos os dias olho para minha antiga casa. Recebemos a indenização, mas até hoje não conseguimos comprar outro imóvel”. Ela explica que na época as famílias tiveram que deixar o apartamento, porque ele apresentou rachaduras.
Fonte: FolhaPE/Foto: Rodrigo C. Silva/Cortesia

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