domingo, 1 de setembro de 2013

Recife tem maior índice de sobrepeso entre capitais do Nordeste

Mais da metade da população da cidade está acima do peso, diz pesquisa.
Médico aponta questão cultural alimentar e falta de exercício como causas.

O número de pessoas com excesso de peso no Recife cresceu nos últimos seis anos. Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que a cidade tem o maior índice de pessoas com sobrepeso entre as capitais nordestinas, atingindo 53,3% da população em 2012 – em 2006, era 44,4%. A quantidade de obesos também aumentou, de 12,3% para 17%, índice que ocupa a sexta posição na região.

O crescimento do número de pessoas com problemas de peso está associado a um problema cultural, acredita o coordenador do programa de Cirurgia da Obesidade do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Cavalcanti. “O problema é que é muito mais fácil produzir um macarrão, que é bem calórico, do que comer corretamente. É claro que tem uma questão cultural, a comida típica. É muito carboidrato que o nordestino come, porque era necessário. O gasto calórico com trabalho braçal era muito grande [no passado]”, aponta Cavalcanti.
O levantamento ainda revela que frutas e hortaliças vêm sendo deixadas de lado pela população, com apenas 19,3% tendo ingerido as cinco porções diárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “É mais barata e prática a alimentação mais calórica. Se você tem acesso pleno ao alimento, você não come tão errado, quanto aqueles que têm acesso restrito”, acredita o médico.
A diminuição do exercício físico, com a substituição de caminhadas por percursos feitos de carro ou motocicleta, também aparece como fator contribuinte para o aumento do número de pessoas com excesso de peso. O estudo aponta que apenas 31,7% da população da capital pratica atividade física nos horários livres. “O estilo de vida como um todo, como a falta cada vez maior de atividade física somada a uma alimentação cada vez mais desregrada, você vê pessoas acima do peso que podem ser tornar obesos se não houver uma mudança de atitude”, alerta Cavalcanti.
Para o médico do Huoc, na maioria dos casos tudo começa com sobrepeso e falta de exercício e acaba resultando em um quadro de obesidade. “É uma bola de neve. No momento que o paciente engorda, aumenta os níveis de insulina, a resistência insulínica. A insulina da fome, ele engorda mais. Quanto mais diabético, mais fome, mais gordo vai ficando. É uma doença gravíssima, porque uma coisa vai levando a outra. A doença se agrava. Quanto mais obeso, mais doente. Hoje, é tudo uma síndrome metabólica, diabetes, hipertensão, obesidade, entre outros”, explica Pedro Cavalcanti.

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