quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Reforma do Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, está ameaçada

Faltando uma semana para a prefeitura apresentar as respostas ? o prazo termina quinta-feira da semana que vem ? Olinda ainda não fez a consulta pública


A Prefeitura de Olinda está brigando contra o tempo para não perder uma verba de R$ 11 milhões destinada à obra de restauração do Mercado Eufrásio Barbosa, no Varadouro. Para conseguir os recursos, o município depende da aprovação do projeto no Conselho de Preservação dos Sítios Históricos e do aval da população em consulta pública. O problema é que a comunidade discorda da proposta e convoca os moradores para o ato de protesto Ocupe o Eufrásio, próximo sábado (10).

Sem consenso entre os moradores, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financia a obra, não libera os recursos. Faltando uma semana para a prefeitura apresentar as respostas – o prazo termina quinta-feira da semana que vem – Olinda ainda não fez a consulta pública. E o projeto não foi avaliado no Conselho de Preservação.

“Se Olinda perder o dinheiro, não é por nossa culpa. Nada disso estaria acontecendo se a prefeitura tivesse debatido o projeto com a cidade desde o começo”, afirma Edmilson Cordeiro, coordenador de Planejamento da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca), que organiza o Ocupe Eufrásio. O protesto será realizado das 10h às 18h, na frente do mercado, com apresentações de grupos de maracatus e de percussão, poesia, teatro, exibição de filmes e abraço simbólico ao prédio.

De acordo com Edmilson, a Sodeca e os moradores do Sítio Histórico querem a recuperação do prédio e o retorno do mercado, que esta desativado há sete anos, com gastronomia, ervas medicinais, hortifrutigranjeiros, artesanato e cultura popular. “Não aceitamos a ideia do governo do Estado, de transformar o imóvel num centro de arte, com museus e salas de exposições”, esclarece.

Cantora e integrante do Comitê Pró-Eufrásio Barbosa da Sodeca, Catarina Dee Jah, disse que a população foi surpreendida com a apresentação de um projeto pronto. “Não houve discussão prévia e as pessoas querem ter mais participação nas decisões da cidade. Os moradores entendem que o mercado deve manter sua vocação de espaço popular, para festejos culturais”, diz ela.

O ato político-cultural do sábado, avisa Catarina, será conduzido de forma pacífica. “Estamos abertos ao diálogo com a prefeitura e com o governo”, declara. Além do Ocupe Eufrásio, desde o mês passado a Sodeca recolhe assinaturas de apoio ao Movimento Pró-Eufrásio Barbosa.
“Temos mais de mil adesões nas redes sociais e contamos com o documento presencial, nossa meta é chegar a três mil nomes”, diz Edmilson. A moradora da Cidade Alta Aneide Santana apoia a mobilização e acrescenta que o mercado é o marco zero de Olinda. “O Eufrásio Barbosa é um equipamento de todos, das quadrilhas, dos maracatus, dos partidos políticos, da farmácia popular, das feiras e dos bares. Onde vão botar tudo isso”, indaga Aneide.

Mercado público, acrescenta o pesquisador olindense José Ataíde, é um ponto de convivência social das cidades. “É no mercado que os turistas encontram a cultura popular e o projeto do governo é de exclusão social, porque cria um espaço para turismo classe A”, avalia Ataíde.

O Eufrásio Barbosa foi inaugurado em abril de 1990 com 28 lojas para venda de artesanato, dez boxes de abastecimento (carnes e queijo), dez bares e lanchonetes. Fechou para reforma em 2006, com a promessa de ser reaberto seis meses depois. Até hoje permanece fechado. Os boxes dos locatários foram saqueados, com destruição das portas de vidro, portas de esteira e treliças.

Catarina convida a população para o ato público de sábado e avisa que haverá um posto no mercado para recolher donativos, endereçados aos moradores dos Coelhos, no Recife, que perderam as casas num incêndio, segunda-feira passada.

Fonte: JC/Foto: Nando Chiappetta

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