Categoria diz que unidades são superlotadas e têm infraestrutura deficiente.
Profissionais vão paralisar atividades nos dias 23, 30 e 31 deste mês.
O Conselho Regional de Medicina de
Pernambuco (Cremepe) apresentou, nesta segunda-feira (15), o resultado de
fiscalizações feitas semana passada nas três maiores maternidades de alto risco
do Recife, que ficam no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando
Figueira (Imip) e hospitais Agamenon Magalhães e Barão de Lucena. "Todos
eles hoje poderiam sofrer interdição ética pelos problemas que
encontramos", disse o coordenador do setor de Fiscalização do Cremepe,
Roberto Tenório. À noite, em assembleia na Associação Médica de Pernambuco, a
categoria decidiu paralisar as atividades nos dias 23, 30 e 31 deste mês.
O Cremepe encontrou diversas irregularidades nas
três unidades. "Superlotação, escalas incompletas de médicos,
infraestrutura deficiente, como poucos leitos e falta de equipamentos,
problemas físicos nas edificações. O Imip é o que está em pior situação",
citou o coordenador. Ele informou que o relatório será encaminhado à Promotoria
de Saúde do Ministério Público de Pernambuco e serão marcadas reuniões com
gestores de cada unidade.
Roberto Tenório lembrou que, ano passado, o
Centro de Saúde Integrado Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, sofreu
interdição ética após fiscalização do Cremepe. Durante a interdição ética,
médicos são convocados a não trabalhar e, por isso, o serviço deixa de
funcionar. A unidade, segundo ele, deve ser reaberta após reforma no próximo
mês de setembro.
A assembleia começou por volta das 20h, com a
presenção de quase 300 pessoas, na sede da associação da categoria, na Boa
Vista, área central do Recife. O presidente do Sindicato dos Médicos de
Pernambuco, Mário Jorge Lobo, disse que as paralisações dos dias 23,30 e 31 não
vão afetar os serviços de emergência. "Vamos paralisar os serviços
eletivos, que podem ser remarcados. O atendimento de urgência, do Samu e da
hemodiálise vai funcionar normalmente", explicou.
Antes de a
assembleia começar, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto
Luiz d'Avila, informou algumas estratégias que as entidades que representam a
categoria no país estão articulando, como paralisações pontuais, panfletagens,
denúncias de irregularidades encontradas em unidades e falta de médicos em
programas federais.
"Vamos falar com senadores e deputados para reverter
os vetos [do Ato Médico] e também entrar, junto com a OAB [Ordem dos Advogados
do Brasil], com um Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] contra a Medida
Provisória que trará médicos estrangeiros", disse. A ação deve ser
impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) até a segunda semana de agosto.
'Medida de força'
O programa Mais Médicos, do governo federal, instituído por Medida Provisória
na semana passada, prevê que profissionais estrangeiros ocupem vagas em unidade
de saúde no interior do País sem a necessidade de fazer o Revalida, exame usado
para validar o diploma de medicina de faculdades de fora do Brasil.
"Essa medida tem uma séria de inconstitucionalidades, e não dão condições
aos médicos brasileiros irem atuar no interior nem carreira de estado. Os
médicos estrangeiros são bem-vindos, desde que se faça o Revalida", falou
d'Avila.
O presidente do CFM ainda criticou a decisão que obriga os
estudantes a participar de um estágio de dois anos no Sistema Único de Saúde
(SUS). "É uma medida de força. Hoje é com médico, amanhã pode ser com
outras profissões. Os estudantes não vão aprender nada no SUS, só o errado,
serão brutalizados, não humanizados", opinou.
Investimento
Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informou que, ano passado,
lançou ano passado o plano de investimento em maternidades de alto risco, que
prevê investimento de de R$ 81 milhões, até 2014, na construção de novas
unidades (Hospital da Mulher de Caruaru e Maternidade Metropolitana Sul, em
Jaboatão) e ampliação de leitos em unidades da rede existente (João Murilo, em
Vitória de Santo Antão; Brites de Albuquerque, em Olinda; Hospam, em
Serra Talhada e Dom Malan, em Petrolina).
“Com relação aos hospitais Agamenon Magalhães e Barão de Lucena, a SES
reconhece que essas unidades, por serem as maiores referências para parto de
alto risco, recebem uma grande demanda de todo o estado. Mesmo assim, estão
atendendo em plena capacidade e estão com suas escalas completas. Isso porque,
do novo concurso, realizado em 2013, 8 médicos (seis neonatolistas e dois
obstetras) foram encaminhados ao Agamenon Magalhães e outros 10 profissionais
(oito neonatologistas e dois obstetras) assumiram vaga no Barão de Lucena.
Também é importante ressaltar que ambos hospitais estão passando por reformas
de ampliação e modernização de sua estrutura, o que contempla melhorias em suas
maternidades.”
Fonte: G1PE/Fotos: (1) Luna Markman - (2) Divulgação/Cremepe
O Conselho Regional de Medicina de
Pernambuco (Cremepe) apresentou, nesta segunda-feira (15), o resultado de
fiscalizações feitas semana passada nas três maiores maternidades de alto risco
do Recife, que ficam no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando
Figueira (Imip) e hospitais Agamenon Magalhães e Barão de Lucena. "Todos
eles hoje poderiam sofrer interdição ética pelos problemas que
encontramos", disse o coordenador do setor de Fiscalização do Cremepe,
Roberto Tenório. À noite, em assembleia na Associação Médica de Pernambuco, a
categoria decidiu paralisar as atividades nos dias 23, 30 e 31 deste mês.
O Cremepe encontrou diversas irregularidades nas três unidades. "Superlotação, escalas incompletas de médicos, infraestrutura deficiente, como poucos leitos e falta de equipamentos, problemas físicos nas edificações. O Imip é o que está em pior situação", citou o coordenador. Ele informou que o relatório será encaminhado à Promotoria de Saúde do Ministério Público de Pernambuco e serão marcadas reuniões com gestores de cada unidade.
Roberto Tenório lembrou que, ano passado, o Centro de Saúde Integrado Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, sofreu interdição ética após fiscalização do Cremepe. Durante a interdição ética, médicos são convocados a não trabalhar e, por isso, o serviço deixa de funcionar. A unidade, segundo ele, deve ser reaberta após reforma no próximo mês de setembro.
A assembleia começou por volta das 20h, com a presenção de quase 300 pessoas, na sede da associação da categoria, na Boa Vista, área central do Recife. O presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Mário Jorge Lobo, disse que as paralisações dos dias 23,30 e 31 não vão afetar os serviços de emergência. "Vamos paralisar os serviços eletivos, que podem ser remarcados. O atendimento de urgência, do Samu e da hemodiálise vai funcionar normalmente", explicou.
Antes de a assembleia começar, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d'Avila, informou algumas estratégias que as entidades que representam a categoria no país estão articulando, como paralisações pontuais, panfletagens, denúncias de irregularidades encontradas em unidades e falta de médicos em programas federais.
"Vamos falar com senadores e deputados para reverter
os vetos [do Ato Médico] e também entrar, junto com a OAB [Ordem dos Advogados
do Brasil], com um Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] contra a Medida
Provisória que trará médicos estrangeiros", disse. A ação deve ser
impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) até a segunda semana de agosto.
'Medida de força'
O programa Mais Médicos, do governo federal, instituído por Medida Provisória na semana passada, prevê que profissionais estrangeiros ocupem vagas em unidade de saúde no interior do País sem a necessidade de fazer o Revalida, exame usado para validar o diploma de medicina de faculdades de fora do Brasil.
"Essa medida tem uma séria de inconstitucionalidades, e não dão condições aos médicos brasileiros irem atuar no interior nem carreira de estado. Os médicos estrangeiros são bem-vindos, desde que se faça o Revalida", falou d'Avila.
O presidente do CFM ainda criticou a decisão que obriga os
estudantes a participar de um estágio de dois anos no Sistema Único de Saúde
(SUS). "É uma medida de força. Hoje é com médico, amanhã pode ser com
outras profissões. Os estudantes não vão aprender nada no SUS, só o errado,
serão brutalizados, não humanizados", opinou.
Investimento
Em nota, a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES) informou que, ano passado, lançou ano passado o plano de investimento em maternidades de alto risco, que prevê investimento de de R$ 81 milhões, até 2014, na construção de novas unidades (Hospital da Mulher de Caruaru e Maternidade Metropolitana Sul, em Jaboatão) e ampliação de leitos em unidades da rede existente (João Murilo, em Vitória de Santo Antão; Brites de Albuquerque, em Olinda; Hospam, em Serra Talhada e Dom Malan, em Petrolina).
“Com relação aos hospitais Agamenon Magalhães e Barão de Lucena, a SES reconhece que essas unidades, por serem as maiores referências para parto de alto risco, recebem uma grande demanda de todo o estado. Mesmo assim, estão atendendo em plena capacidade e estão com suas escalas completas. Isso porque, do novo concurso, realizado em 2013, 8 médicos (seis neonatolistas e dois obstetras) foram encaminhados ao Agamenon Magalhães e outros 10 profissionais (oito neonatologistas e dois obstetras) assumiram vaga no Barão de Lucena. Também é importante ressaltar que ambos hospitais estão passando por reformas de ampliação e modernização de sua estrutura, o que contempla melhorias em suas maternidades.”
Fonte: G1PE/Fotos: (1) Luna Markman - (2) Divulgação/Cremepe


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